Papo firme!

Nota: Na época em que escrevi esse texto eu era uma estudante liiiiisa - redundância, né? rsrs -, que fazia compras na feirinha de Campina Grande e voltava para casa de coletivo porque não tinha dinheiro para pegar táxi, ou pior, voltava a pé, pela falta total dele. A estratégia era sentar onde podia e fingir que estava olhando o movimento ou esperando alguém, enquanto descansava um pouco. Neste dia, em especial, encontrei uma figura que se dizia filósofo e o encontro foi tão agradável que me rendeu estes rabiscos:  

Um pouco de filosofia

O peso das sacolas chegou ao limite do suportável e ela parou para descansar. Descansar os braços, pois os olhos jamais se cansavam de ver a vida acontecer.
Como num passe de mágica, um filósofo sentou-se ao seu lado. E "filosofaram" por um longo tempo...

O cansaço de outrora cedeu lugar a uma euforia já conhecida. O canto da sereia, ou melhor, as palavras do sábio alimentaram a alma da moça que nunca revelara a ninguém seu ingênuo sonho da onisciência.
Quando o filósofo profetizou que o grande problema do ser humano estava no desconhecimento de si próprio, a moça atingiu o nirvana. Puxa, vida! Ela estava salva! Tinha ciência de cada defeito, cada virtude, cada cantinho seu. O exercício da introspecção era um de seus passatempos preferidos. Não apenas conhecia muito bem a si própria como encantava-se incessantemente com a possibilidade do aperfeiçoamento humano concedido pela vida.
Compartilharia sua salvação com o sábio quando, de volta do transe, percebeu que estava sozinha.
À moça, então, coube retomar sua caminhada, com os braços pesados e a alma levinha, levinha!
Agosto de 2007