A Gustavo, nossa estrela!


Ao nosso pequenino GU:
Gustavo era um semeador de sorrisos. A vida pra ele era leve e fácil.
Muito esperto e arteiro, tinha o olhar doce e a alma de passarinho, mas nas atitudes do dia a dia, já era muito adulto, ora! 
Gustavo, na verdade, era uma salada mista de comportamentos de cada pessoa com quem ele convivia. 
As mulheres para ele não eram “menininhas”, eram “filé”, “avião”, e quando alguma bonitona passava, ele logo soltava: “ô máquina!” Carro velho não era carro, era bomba.
Todas as vezes que Tatá chegava em casa ele comentava:
- Você demorou, cara! Por que não veio me pegar?
Para não dormir em seu quarto sozinho, toda noite inventava um desculpa (lagartixa, morcego, etc.) e como dava certo: sempre acabava dormindo com os pais.
Ao amanhecer, acordar cedo para ir à escola e escovar os dentes era o seu milagre de cada dia.
Com seu jeito expansivo e conquistador, onde chegava, comandava e, na escola, sempre valeu por uns dez, porque além de traquino, era um líder nato, levava consigo todos os outros.
No futebol, torcia pro time de quem estava mais próximo no momento. Se tinha vovó Elenita, Mateuzinho ou Tércio, ele era flamenguista roxo. Assistindo jogo do santos com o pai, Juninho ou o Grilo já era santista – e como era um santista fanático!; George na área, ele virava são paulino em questão de segundos, aí flamengo ou santos já virava “carniça” e assim ele executava o balet dos vira-folha para não desagradar ninguém e, claro, para não prejudicar suas “negociações”.
A paixão pela bola o fez entrar na Escolinha do Alfa, mas o fez também entrar no casamento de Adriana e a realizar muitas outras vontades dos adultos que lhe prometiam: - se você fizer isso, eu lhe dou uma bola. O problema foi que não deram a tal da bola na hora do casamento de Adriana e no casamento de George, assim que sentou no banco dos padrinhos, indagou logo: - cadê minha bola?
Video-game, então, era seu passatempo preferido e nós sempre ouvíamos a frase: - Painho, vamos jogar só essa. Quando perdia, o controle certamente estava quebrado, ou o juiz era ladrão, ou o goleiro não prestava. Agora, quando ele ganhava, era um tal de “vê se ganha uma, pixote!”
Bom mesmo de se vê era quando Gu pegava algo valioso de alguém e Tata na tentativa de fazê-lo desistir do objeto, argumentava: - Peeera menino, se quebrar isso aí vou ter que vender o carro para pagar.
E tantas outras expressões e atitudes típicas de Gu nos arrancarão um sorriso no meio do nada e nos farão sentir uma dor aguda de saudades.
O que nos resta é agradecer a Deus por conviver com aquela “figura”, aquele “mala”, o “filho de cacheado do posto” que tanto nos abrilhantou com sua presença.
A Tatá e Helen foram dados os papéis mais importantes, os de protagonistas de uma breve, mas inesquecível história de amor. Gustavo foi, sem sombra de dúvida, muito feliz neste pouco tempo de vida e agora, lá no céu, deve estar contando aos novos amigos-anjo: - cara, eu vou te contar uma história massa que aconteceu comigo lá na Terra, meus pais foram os melhores que alguém poderia ter...
                                                            Laura Dourado Loula